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Blog · Como ajudar

Voluntariado: como ajudar também transforma quem ajuda

Mais da metade dos brasileiros já fez trabalho voluntário, e quase todos dizem que a experiência os tornou pessoas melhores. Entenda por que e como começar do jeito certo.

Quem já fez trabalho voluntário costuma dizer a mesma coisa: saiu de lá recebendo mais do que deu. Parece frase pronta, mas as pesquisas confirmam. Doar tempo e talento muda a vida de quem recebe a ajuda e também a de quem ajuda.

Neste texto, mostramos o que os números dizem sobre o voluntariado no Brasil, por que ele faz tão bem e quais cuidados ele exige quando o assunto é criança em acolhimento.

O Brasil está mais voluntário

A pesquisa Voluntariado no Brasil, feita pelo IDIS com o Instituto Datafolha, acompanha o tema há duas décadas. Na edição de 2021, com entrevistas feitas entre o fim de 2021 e o começo de 2022, os resultados chamaram atenção.

A parcela de brasileiros que faz ou já fez trabalho voluntário saltou de 18% em 2001 para 25% em 2011 e chegou a 56% em 2021. Na época da pesquisa, 34% estavam atuando como voluntários. Isso representa cerca de 57 milhões de pessoas.

Outro dado curioso: entre os voluntários com frequência definida, a dedicação média chegou a 18 horas por mês.

Por que as pessoas ajudam

A principal motivação apontada foi a solidariedade, citada por 74% dos voluntários. Depois vieram motivos religiosos, a vontade de fazer diferença, o desejo de retribuir algo que receberam e o exercício da cidadania.

E o voluntariado parece cumprir o que promete. A motivação continua alta: 80% se disseram muito motivados, com nota média de 9,3 numa escala de 0 a 10. E 74% se disseram totalmente satisfeitos com a experiência.

O que muda em quem ajuda

A parte mais bonita da pesquisa está no que os voluntários dizem sobre si mesmos. Veja alguns números:

  • 99% concordam que o voluntariado faz a pessoa conhecer outra realidade;
  • 97% veem o trabalho voluntário como exercício de cidadania;
  • 97% consideram o voluntariado um processo de transformação;
  • 96% dizem que ele inspira a pessoa a ser melhor;
  • 92% gostam de doar parte do seu tempo para ajudar a comunidade.

Conhecer outra realidade, aqui, quer dizer sair da própria bolha. Quem passa algumas horas numa casa de acolhimento, numa cozinha comunitária ou num projeto do bairro passa a enxergar a cidade de outro jeito. Entende melhor os problemas e percebe que pode fazer parte da solução.

Voluntariado com crianças exige cuidado

Na pesquisa, 25% dos voluntários disseram atuar com crianças e adolescentes. É uma área que atrai muita gente, e com razão. Mas quando falamos de crianças que vivem em acolhimento, o voluntariado precisa de regras claras.

Essas crianças passaram por situações difíceis e precisam de estabilidade. Visitas soltas, de pessoas que aparecem uma vez e nunca mais voltam, podem fazer mais mal do que bem. Por isso, uma boa ação voluntária numa casa de acolhimento costuma ter:

  • combinado prévio com a equipe da casa;
  • compromisso de regularidade, quando há contato com as crianças;
  • respeito absoluto à privacidade, sem fotos e sem postagens;
  • foco no que a casa precisa, e não no que o voluntário gostaria de fazer.

Existe também uma lei para isso. A Lei 9.608, de 1998, trata do serviço voluntário e prevê um termo de adesão entre o voluntário e a organização. A pesquisa mostrou que só 18% dos voluntários assinam esse termo. Formalizar protege as duas partes.

Nem todo voluntariado é com as crianças

Muita gente não sabe, mas uma das formas mais úteis de ser voluntário é usar a sua profissão. Contadores, advogados, eletricistas, designers, cozinheiros e professores podem ajudar muito sem precisar de contato direto com as crianças.

Também é possível ajudar de longe: divulgando campanhas, organizando arrecadações no trabalho ou na escola, ou apresentando a casa para empresas do seu círculo. No artigo sobre formas de ajudar além do dinheiro, aqui no blog, damos várias ideias.

Quer ser voluntário da PROHACC?

A PROHACC cuida de cerca de 18 crianças e adolescentes em Perus, São Paulo, sem convênio com o governo. No Instagram, a casa costuma lembrar e agradecer quem doa tempo, em datas como o Dia Nacional do Voluntariado, em 28 de agosto, e o Dia Internacional do Voluntário, em 5 de dezembro.

Se você quer doar seu tempo ou seu talento, fale com a gente antes pelos canais do site. Assim dá para combinar a melhor forma de você participar, com segurança para as crianças. Veja também as outras formas de apoiar na página Como ajudar.

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Fontes

  • IDIS e Instituto Datafolha. Pesquisa Voluntariado no Brasil 2021, livro digital Volunteering in Brazil: two decades of transformation, 2022: https://www.idis.org.br/en/wp-content/uploads/sites/3/2022/10/Livro-Digital-Voluntariado-no-Brasil-ENGLISH_2022.pdf
  • Site oficial da pesquisa: https://www.pesquisavoluntariado.org.br/
  • Lei 9.608/1998 (serviço voluntário): https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9608.htm
  • PROHACC no Instagram (@prohacccasa), post de 05/12/2022, Dia Internacional do Voluntário: https://www.instagram.com/p/ClyhewEO9E4/
  • PROHACC no Instagram (@prohacccasa), post de 28/08/2024, Dia Nacional do Voluntariado: https://www.instagram.com/p/C_NqMq4Ogb1/

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